quarta-feira, 2 de janeiro de 2013




Release Espetáculo “Lenda das Yabás” 


O QUE: Espetáculo “Lenda das Yabás” 
QUANDO: Sábados e Domingos (de 12 a 30 de Janeiro)
SESSÕES: 20: horas
ONDE: Sala de Teatro do Centro Cultural Ensaio (Av. Leovigildo Filgueiras nº 58 Garcia)
INGRESSOS: R$ 20, (int.) – R$ 10, (meia)
CONTATOS: 71- 3018-7122/ 3328-3628 – cculturalensaio@gmail.com



“Iabá, Yabáou Iyabá , cujo o termo quer dizer Mãe Rainha, é o termo dado aos orixás femininos Yemanjá e Oxum, mas no Brasil esse termo é utilizado para definir todos os orixás femininos em geral”


Entre 12 e 30 de Janeiro às 20h o Centro Cultural Ensaio realizará sessões do Espetáculo Lenda das Yabás para um público restrito a 50 pessoas. As primeiras apresentações serão voltadas para o povo do axé e associações ligadas a cultura Afro. Na noite de estreia a Companhia de Teatro Terra Brasilis (CTTB) terá como plateia a presidente (Rita Santos) e associadas da ABAM - Associação das Baianas de Acarajé de Salvador para o espetáculo que tem a sua estreia oficial prevista para Março de 2013, com texto e direção de Fabio S. Tavares (Benedita, Fogueira, Escombros, Quadrilha). No local haverá a Exposição intitulada “Bahia’ Minha Preta” que traz objetos de personalidades baianas a exemplos dos turbantes de Negra Jhô além de quadros sobre o processo de ensaios e laboratórios do espetáculo. 

Independente e a cima de discussões acerca de raça ou religião, o Texto “Lenda das Yabás” traz à tona a história da ancestralidade da cultura afro-brasileira, bebendo da sua fonte mais pura ao se utilizar das lendas de quatro Yabás (orixás femininas): Yansã, Obá, Ewá, Nanã e Oxum. Entrelaçando os contos dessas divindades, o elenco da CTTB estimula o público a conhecer uma história intensa oferecendo diálogos diretos criados com o intuito de humanizar as personagens centrais e visando captar a atenção absoluta do espectador quase transpondo-os para a encenação.


O Texto, que tem uma construção narrativa cenários e figurinos artesanais, conta a lenda das Yabás passando ainda por outros Orixás como Yemanjá, Exu, Xangô, Ogun, Omolu e Oxalá, os quais  têm sub-contos dramatizados com a intenção de levar ao público um conhecimento sobre as lendas desses orixás sem desrespeitar o conceito de cada um deles. A musicalidade está presente na encenação com atabaques que pontualmente dão o clima e vestem as cenas com a leveza ou peso necessários para a construção cênica. Todo o som produzido ao vivo pelo elenco vem em função da expressão dramática e não se sobrepõe a ela.


Revoltado com a destruição e discórdias que os homens vêm causando a aiê (Terra), Olorum resolve infertilizar todas as mulheres (as Yabás) para extinguir a raça humana e prender a chuva para que a Terra fique seca - isso é representado pelos galhos secos e tom pastel que compõem o cenário dando aspereza a encenação - pois a natureza retrata é a presença concreta do Deus abstrato. Nanã, que é a mais antiga dos orixás, surge no texto como uma grande ialorixa e sacerdotisa que conduz os festejos, impostos por Exu, em agradecimento por este ter conseguido chegar a olorum desvendando os segredos para que o Deus maior devolvesse a paz a Terra. O espetáculo traz os Orixás em forma humana e enfatiza que todo ser vivo, por possuir uma parcela divina, é capaz de se conectar com Deus com bases na energia e ações emitidas a outro ser e por isso Exu conseguiu chegar a Olorum e descobrir os segredos para trazer a concórdia a Terra. O mesmo Exu que trará a paz também conduz a ciumenta Oxum, causando intrigas e discórdias entre as demais Yabás, utilizando da obsessão que mesma sente pelo amor de Xangô, que por sua vez vive com suas quatro mulheres no palácio onde se passa toda a historia.


Cada uma das Yabás com seus signos traz em si a representatividade da essência e força feminina que ganham destaque na encenação que tem um misto de religiosidade popular e sensualidade profana. Yansã representa a figura da mulher contemporânea e independente, que age de acordo com a sua intuição e vontade sem se curvar aos caprichos ou preconceitos de uma sociedade (e por isso é a preferida de Xangô). Obá representa a evolução feminina em busca da igualdade, sua personalidade vai da típica dona de casa que se esmera ao máximo para agradar seu marido - sendo vítima de diversas injustiças - até a descoberta da força que muitas mulheres trazem dentro de si e desconhecem. A grande lição de Oba vem quando ela dá um basta na situação que vive e com isso se torna uma grande guerreira. A menina Ewá, representa o romantismo e inocência feminina. Demonstra sua força na revolta pela desilusão amorosa que sofre após cair numa das muitas armadilhas criadas por Exu. Ela é salva da fúria de Yansã por Oxossi que a leva para a mata e lá descobre essa força e volta para se vingar de Xangô que tentou seduzi-la. Oxum, sempre orientada por Exu, ao longo da história se utiliza da sua beleza para seduzir e orquestrar situações com o intuito de afastar as outras mulheres de Xangô, até que Oxalá vem ao reino para selar a paz e transformar os homens em orixás.


Com esses elementos o Texto, do também produtor Fábio S. Tavares, projetou um espetáculo que reitera o papel do ator no processo criativo - isso pôde ser conferido com os pequenos vídeos que foram lançados semanalmente em redes sociais, com imagens do processo de criação ao longo dos 10 meses de ensaios - enfatizando, sobretudo, o corpo e o leque de expressões possíveis em que ele se realiza na cena: da dança à pantomima. Nessa montagem, percebemos que as personagens da trama nascem do natural e não do realismo (numa interpretação tipicamente stanislavskiana), buscando também uma técnica que envolve o ator na sua totalidade: mente, corpo, gesto, palavra, espírito, matéria, interno, externo (tendo inspiração na obra do teórico Grotowski). Elas são, no entanto, espelhos do real, mas distorcidos pelo manejar poético do ator e da pulsão do seu gestual no espaço. Nesse embalo foram fundidos diversos elementos da dança contemporânea com o naturalismo da interpretação, sem perder, no entanto, a dinâmica cênica que o texto reclama.




Ficha Técnica:



Concepção, Texto, Direção artística e Cenografia: Fábio S. Tavares

Assistentes de direção: Rafael Manga e Lucianno Monteiro

Pesquisa , Objetos e Figurinos: Companhia de Teatro Terra Brasilis

Elenco: Aline Barbosa, Agnaldo Meu Rey, Cassius Fabian, Jonaz Bispo, Lucianno Monteiro, Licoln Pessoa, Lilian Menezes, Marcello Teixeira, Marisa Andrade, Natalyne Santos, Rita Santiago, Vinicius Sena

Operação de Instrumentos: Mariana Gavim, Isadora Souza e Ivan Santos

Preparação Corporal: Jorge Santos 

Consultoria: Rebeca Souza

Maquiagem:  Wellington Rosário                                                                                                                    

Preparação Vocal: Ivan Santos                                                                          

Técnico de Luz: Victor Hugo                                                                                          

Produção e Comunicação: Centro Cultural Ensaio

Direção de Produção: Fábio Tavares

Programação Visual: Rafael Manga e Fabio S. Tavares

Vídeos de divulgação: Núcleo de Comunicação do Centro Cultural Ensaio e Uneb – Universidade do Estado da Bahia


                                                                                                                  Contatos:

centroculturalensaio@gmail.com
55 (71) 8873. 3565/ 3018-7122/ 3328-3628
www.centroculturalensaio.blogspot.com




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