quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Jean-Baptiste Poquelin, conhecido como Molière, foi batizado em Paris em 15 de janeiro de 1622. Filho de um rico fornecedor de tapetes da casa real, recebeu educação privilegiada no colégio de Clermont. Recusou-se, porém, a seguir a carreira do pai e decidiu abraçar o teatro. Em 1643 fundou em Paris, junto com outros nove atores, entre os quais se encontrava Madeleine Béjart, a companhia L'Illustre-Théâtre, que se apresentou em Paris durante dois anos. Adotou o nome artístico de Molière e, totalmente responsável pelo grupo, tentou manter um teatro, mas as dívidas, que o levaram duas vezes à prisão, obrigaram o grupo a deixar a capital em 1645.

A primeira obra importante de Molière representada em Paris, Les Précieuses ridicules (1659; As preciosas ridículas), já continha a crítica à afetação e o apelo ao bom senso que caracterizariam sua obra. Em 1660-1661 a companhia estabeleceu-se definitivamente numa sala do Palais-Royal preparada para funcionar como teatro. A partir de então, Molière apresentaria em Paris -- e apenas ocasionalmente em outros lugares -- 31 obras próprias e muitas outras de diversos autores, e sustentaria uma luta perene contra as acusações de imoralidade e as proibições que com freqüência suscitaram suas obras. Seu casamento com a jovem atriz Armande Béjart, legalmente irmã de Madeleine mas para muitos sua filha, contribuiu para gerar um clima escandaloso. L'École des femmes (1662; A escola de mulheres), representada depois de Sganarelle (1660) e Dom Garcie de Navarre (1661), teve grande êxito, mas foi ainda maior o da estréia de Tartuffe (Tartufo) em 1664. Por meio de um diálogo de enorme sutileza e força cômica, o autor apresentava a figura de um homem sensual e lascivo que, sob a aparência de asceta virtuoso, consegue aproveitar-se da confiança de seu protetor e inclusive voltá-lo contra a família, e só é desmascarado quando tenta seduzir a dona da casa.

Em 17 de janeiro de 1673, enquanto representava no palco o protagonista de sua última obra, Le Malade imaginaire (O doente imaginário), Molière sofreu um repentino colapso e morreu poucas horas depois, em sua casa de Paris. Como se assinalou com freqüência, não é de estranhar que o mestre do duplo sentido e da dissimulação tenha encerrado a vida e a carreira no momento em que encarnava um falso doente.




"Em Outubro em Cartaz na Sala Teatro Paulo Autran, a peça Quattro, do Grupo Por Acaso." 




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